• Keyti Morosini

Povos Indígenas e ODS: a experiência Rikbaktsa

Atualizado: 8 de Set de 2020

2015 ficará na História como o ano da definição dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, trata da nova agenda de ação até 2030, que está baseada nos progressos e lições aprendidas com os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre 2000 e 2015. Esta agenda é fruto do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo que pretende criar um novo modelo global para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio ambiente e combater as alterações climáticas.

Os seres humanos e outros animais dependem da natureza para terem alimento, ar puro, água limpa e também como um meio de combate à mudança do clima. As florestas, que cobrem 30% da superfície da Terra, ajudam a manter o ar e a água limpa e o clima da Terra em equilíbrio – sem mencionar que é o lar de milhões de espécies. Promover o manejo sustentável das florestas, o combate à desertificação, parar e reverter a degradação da terra, interromper o processo de perda de biodiversidade é algumas das metas que o ODS 15 promove. Usar sustentavelmente os recursos naturais em cadeias produtivas e em atividades de subsistência de comunidades, e integrá-los em políticas públicas é tarefa central para atingir estas metas e a promoção de todos os outros ODS.

Há uma estimativa de 370 milhões de indígenas do mundo, representando cerca de 5% da população mundial. Os povos indígenas representam mais de 5 mil línguas em mais de 70 países em seis continentes. Ou seja, quase 75% de todas as línguas que se acredita existir. Em muitos casos, suas práticas ecologicamente sustentáveis protegem uma parte significativa da diversidade biológica do mundo.

A agenda existe para valorizar a luta dos povos tradicionais para o reconhecimento de suas tradições, identidade e cultura. Só no Brasil existem mais de 240 povos indígenas remanescentes, de acordo com o Censo IBGE 2010. Desses, 43 povos estão no Estado de Mato Grosso, mais de 42 mil índios distribuídos em várias Terras Indígenas

- Rikbaktsa - significa "os seres humanos". Rik é pessoa, ser humano; bak é um reforço de sentido e tsa é o sufixo para a forma plural. Regionalmente são chamados de Canoeiros, por referência à sua habilidade no uso de canoas ou, mais raramente, de "Orelhas de Pau", pelo uso de enormes botoques feitos de caixeta, introduzidos nos lóbulos alargados das orelhas.

Atualmente os Rikbaktsa são bilíngües, tendo aprendido e incorporado o português. As novas gerações falam mais regularmente e melhor o português, aprendendo e utilizando a língua Rikbaktsa à medida que crescem e ocupam um espaço no mundo adulto. Os mais velhos, por outro lado, utilizam o português com mais dificuldade e apenas no contato com os "brancos".

Os Rikbaktsa vivem na bacia do rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, em duas Terras Indígenas contíguas - a TI Erikpatsa e a TI Japuíra e em uma terceira, a TI do Escondido, mais ao norte, na margem esquerda do rio Juruena.

A natureza se apresenta como o grande manancial, onde os Rikbaktsa estão imersos. O conhecimento milenarmente adquirido e oralmente transmitido sobre as espécies vegetais e animais, suas interrelações e ciclos de reprodução, aliado a técnicas adequadas de aproveitamento sempre garantiram sua reprodução biológica e social. A socialização desses conhecimentos e técnicas e o livre acesso de todos os indivíduos aos recursos do território do grupo ao qual pertencem, garantem alto índice de igualitarismo interno.

Nós da @2030.agenda estivemos presente na Academia de Verão da ONU na cidade Bonn/Alemanha e temos a missão de replicar todo o conhecimento adquirido para que todos tenham a certeza de um mundo justo e melhor para todos. No sentido de propagar conhecimento adentramos na terra dos Rikbaktsa aproximando culturas, saberes e fazeres e reconhecimento por tudo o que eles representam na história de vida de cada um de nós. Registramos nosso agradecimento especial a todos que nos receberam.

Salve os povos da floresta!!!







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